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Quem sou?

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A sombra num dia nublado Outrora um tiro no escuro Silêncio da multidão Pânico! Estranho, estrangeiro... Sou aquele que não se importa Nem exporta opiniões Sou a indiferença A solidão Buda na estante Castelo de areia Não sou seu amigo Nem inimigo Apenas um qualquer.

Pedaço

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Parte de mim - um pedaço Parto primeiro Maturo esta passagem Tal qual cancioneiro Pelo céu um pequeno avião Na vista cabe o mundo Sigo com ele - passageiro Pela paisagem descanso a vista Minha vida passa A partir daquele parto Inicia-se a jornada Que leva entre as partes A forma inteira Uma grande viagem Ou só um passeio.

De nada

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Se lhe faço algo, me diz obrigado E está tudo resolvido. Mas num segundo Se acaba o Mundo E toda gratidão Vira esquecimento Resumo em mim Todo o mal da vida Serei alvo fácil de qualquer objeto E mesmo calado ou quieto Estarei errado Mesmo assim obrigado Pela verdade que é sua Sua raiva que é linda E pela culpa que é minha.

Docura

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Se o amor é amargo: amar go! Que uma chicara de café deve ser assim e é uma dessas que preciso para a manhã ser de verdade... O sol acorda todos os dias Não há dia sem sol Esta corda que ele serve pode enforcar... A cor dá vida Sua luz seduz e queima, é o amor amargo de cada dia.

Sangria

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Enquanto pratico a doação, minha razão se perde ante as pancadas de chuva lá fora, não é meu ânimo o tempo, meu momento é o agora. Aquele que receberá este sangue, nem imagina a estrada deste sumo, que se encarrrega como pode de sustentar minha ossada neste dado rumo. Sei que é preciso doar-se, que cada geração tem uma sina, tarefa renegada por muitos, mas que a minha vida aos poucos ensina... Ser responsável é assumir o Mundo, feito Atlas, salvo a proporção, em cada ação fazer a diferença ou ser o diferente. Por outro lado a indiferença nunca sairá de moda, nem o consumo desmedido e nem essas roupas estranhas. Cada qual ao seu modo tenta aparecer mais e acaba desaparecendo, sendo na multidão um ponto de continuação, quando em três são reticentes. A grande irônia disso é sabermos quais problemas a humanidade enfrenta e quais suas supostas raz...

Minha literatura

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A letra que a mim cabe Tem a altura de picos de euforia E a depressão de uma cachoeira Onde escorre dia após dia A alegria de uma vida inteira Na arte da palavra que Hora é amor noutra guerra Não há qualquer fronte Que não esteja a beiro do abismo De onde diuturnamente cismo Ser a sina dessa Terra Sigo cada signo Como a pista secreta De um algoritmo Que selaria a paz Seriamos guerreiros? Será a vida passageira? Nada disso importa Melhor ouvir a chuva Sentir cada gota Como notas da sinfonia dos sonhos Que somente os olhos escutam O que não deve ser revelado.

A espera

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Quando te espero Sinto um aperto no peito Me afligem os dentes Sinto fomes Meu desejo não é de qualquer alimento Nesse momento Só quero seu perfume E as reclamações de costume Pra me entreter no trânsito. Tenho sempre muita pressa Mas peço em prece Que Deus nos proteja Que maior ventura É não procurar... E voltar pra prole Que cresce (não em número) E enquanto ainda precisam Que faça ninar